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Espionagem e novas funcionalidades do VoIP são temas do 3º SIG fone@RNP


A segurança na tecnologia VoIP (Voz sobre IP) foi um dos destaques do 3º SIG fone@RNP, realizado hoje em Brasília. O monitoramento de chamadas, que virou uma preocupação desde que uma matéria do jornal O Globo revelou que o Brasil é um dos países mais monitorados pela Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA, na sigla em inglês), também é uma preocupação constante do Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (CAIS), da RNP.

De acordo com o analista de Segurança da RNP, André Landim, “a arquitetura VoIP também é vulnerável ao vazamento de informações por meio de escuta e manipulação de chamadas, com a injeção e a remoção de áudio durante as ligações. Se você pegar toda a sinalização da chamada, consegue remontá-la e extrair o áudio de lá. Se você não tiver a sinalização, o Wireshark (programa que analisa o tráfego de rede e o organiza por protocolos) consegue reproduzir o fluxo. Para evitar isso, o ideal é adotar uma solução de criptografia”, garantiu.

Essa implementação foi mapeada como uma possível necessidade do fone@RNP, oferecido pela RNP no âmbito da rede acadêmica, a Ipê, monitorada pelo CAIS. Como explicado pelo especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação da RNP, Alex Galhano, por meio de trocas como as que ocorrem nos SIGs e de prospecção de melhores práticas no mercado, o fone@RNP passa, desde 2012, por um processo de modernização, que visa proporcionar maior disponibilidade e melhor escalabilidade ao serviço.

“A nova distribuição do fone@RNP em implementação possui gateway transparente, ou seja, não é necessário discar um ramal específico para realizar uma chamada VoIP. Se a rede VoIP estiver indisponível, a chamada é automaticamente redirecionada para a rede pública de telefonia. Na RNP, por exemplo, cerca de 30% dos colaboradores faziam chamadas por VoIP. Com o gateway transparente, esse percentual passou para mais de 90%”, revelou.

Segundo Galhano, “a RNP também detectou o desejo das instituições de usar o fone@RNP como um PABX, com voicemail, siga-me, chamada em espera, grupos de chamadas, perfis diferenciados, entre outros. Além disso, com a nova versão, também conseguimos simplificar a instalação do serviço”, explicou.

Ele também citou a adesão da RNP com o serviço fone@RNP, no ano passado, ao NRENum.net, uma iniciativa da TERENA (Trans-European Research and Education Networking Association), atualmente com mais de 30 países integrados, que permite que as redes acadêmicas mundiais com serviços VoIP e suas as organizações usuárias se comuniquem entre si, a custo zero.

Também conectada à NRENum.net está a rede acadêmica australiana AARNet. Seu serviço AARNet Unified Communications eXchange foi apresentado pelo gerente de comunicações unificadas Bill Efthimiou. Este possibilita a realização de chamadas voz e vídeo gratuitas, bem como de telepresença, para os clientes da rede. Efthimiou também está à frente do Global RealTime Communication (G-RTC) eXchange, um grupo formado no âmbito da iniciativa do Fórum Global das principais redes acadêmicas (NRENs) mundiais, e com participação da RNP. A proposta do G-RTC é criar uma arquitetura multimídia de próxima geração, puramente baseada no protocolo IP. Assim, é criado um ambiente em que as instituições conectadas em suas respectivas redes acadêmicas podem realizar chamadas de vídeo de forma facilitada entre seus pesquisadores, executivos, pessoal docente, pessoal de apoio e alunos, com base nos padrões existentes. A chave para alcançar esse resultado é um esforço da comunidade global para garantir que serviços de VoIP, videoconferência, telepresença e outros sistemas multimídia (SIP e/ou H.323) possam interoperar de maneira confiável, através de uma abordagem que leve em consideração as melhores práticas.

Usos do fone@RNP

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi um dos cases de uso do serviço apresentados no SIG fone@RNP. Thiago Reis, da Coordenação de Redes e Infraestrutura da Universidade, mostrou a iniciativa de virtualização, que aumentou a disponibilidade do serviço, bem como os recursos computacionais voltados a este na instituição.

“Antes não tínhamos como gerenciar o hardware, porque era um desktop, um hardware obsoleto. A solução foi a virtualização, transformando o hardware em software. Os benefícios são a redução dos custos de TI, gerenciamento dinâmico dos recursos, consolidação de servidores, recuperação de desastres, entre outros”, disse.

Guilherme Rhodem, do Ponto de Presença da RNP em Santa Catarina (PoP-SC), e um dos desenvolvedores responsáveis pela nova distribuição do fone@RNP, também ratificou a importância de se preocupar com a qualidade da telefonia IP. “Para melhorar a qualidade da telefonia IP, é importante utilizar CODECs apropriados para cada cenário, fazer upgrade do link, mas é essencial ter uma equipe para gestão integrada do serviço rede e telefonia (convencional X IP)”.

Nuno Gonçalves, palestrante da rede acadêmica portuguesa FCCN mostrou como a instituição conseguiu reduzir os custos de telefonia em 2012. “Contratamos uma tarifa conjuntamente para as nossas 45 organizações usuárias. Ao invés de cada universidade ter um contrato, a FCCN fez um coletivo, o que reduziu brutalmente os custos de todas”, afirmou.

Ao final, Hélder Vitorino, coordenador da reunião do SIG do fone@RNP, e o diretor adjunto de Gestão de Serviços da RNP, Antônio Carlos Fernandes Nunes, apontaram o resultado já obtido com o piloto em andamento com a nova distribuição do fone@RNP, incluindo a própria RNP e um conjunto limitado de instituições, assim como os próximos passos previstos, o que ampliou o interesse das demais instituições em migrar ou aderir rapidamente à nova distribuição do fone@RNP.

A reunião do SIG do fone@RNP contou com mais de 45 participantes presentes, com representantes de diversas instituições clientes da RNP, parceiros e representantes do governo, além de participantes e palestrantes internacionais da Argentina, Austrália, Canadá e Portugal, e mais de 30 participantes remotos. 

A gravação da reunião está disponível aqui.