Cirurgia transmitida em Ultra HD
demonstra viabilidade dessa tecnologia para outras aplicações
Procedimento
realizado em Natal, no Rio Grande do Norte, serviu de teste para
o protótipo de equipamentos para reprodução e transmissão em 4k
O
dia 26 de fevereiro de 2013 entrou para a história como a data
em que o Brasil sediou a primeira transmissão em tempo real de
uma cirurgia em ultra alta definição (Ultra HD). Também
conhecida como 4k, a tecnologia permite gerar imagens em
resolução quatro vezes maior que a de imagens em Full HD. O
feito não só coloca o Brasil no seleto grupo de nações que
despontam em inovações tecnológicas para telemedicina, mas
também no rumo de um novo paradigma de captação e transmissão de
imagens de altíssima qualidade.
A cirurgia cardíaca
realizada no Hospital Universitário Onofre Lopes (Natal-RN),
membro da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), foi
transmitida para o Laboratório de Realidade Virtual da UFRN.
Tratou-se de um teste do protótipo de equipamento para
reprodução (player) e transmissão (streamer) em 4k que integra o
projeto Visualização Avançada, financiado pela Rede Nacional de
Ensino e Pesquisa (RNP) – instituição ligada ao Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). “O projeto não
contempla a aplicação da tecnologia 4K em uma área específica.
Fizemos agora uma demonstração relacionada com telemedicina, mas
pretendemos ampliar para outras áreas como astronomia, cinema
digital, dança, etc.”, explica o gerente de Pesquisa e
Desenvolvimento da RNP, Leandro Ciuffo.
Segundo ele, a
Universidade Federal do Rio Grande do Norte foi escolhida para o
experimento porque, além de estar conectada à rede Ipê –
infraestrutura de internet de alta capacidade gerida pela RNP
– também possui projetores 4k. A transmissão, acompanhada
remotamente por núcleos da Rute, foi aprovada por pesquisadores
ligados tanto à área médica como tecnológica. “Os médicos
e alunos puderam perceber detalhes da cirurgia que muitas vezes
não são percebidos nem mesmo pela própria equipe médica na sala
de cirurgia. Imagine visualizar um coração ampliado com 2 metros
de largura”, observa Ciuffo.
O gerente de
P&D da RNP afirma que a tecnologia já foi testada e está
disponível para ser utilizada, dependendo apenas de
investimentos para sua popularização. “A aplicação dessa
tecnologia em outros hospitais, por exemplo, depende de
investimentos que precisam ser feitos pelo governo ou pelos
próprios hospitais para instalar os equipamentos necessários e
capacitar pessoal”, avalia.
Imagem: Thiago
Lima Verde